Computação em nuvem, SaaS e o outsourcing são alguns dos conceitos que estão transformando o papel da TI nas empresas. Veja o que isso muda na sua carreira.
No longo prazo, é improvável que o departamento de TI continue existindo, pelo menos da maneira como é hoje. Haverá muito pouco a fazer, uma vez que o grosso do processamento dos negócios sairá dos data centers privados e irá para dentro da nuvem. Unidades de negócio e até os próprios funcionários serão capazes de controlar o processamento das informações, sem precisar de uma legião de técnicos especialistas.” Essa previsão apocalíptica para a área de TI foi dada por Nicholas Carr, editor da Harvard Business Review, em seu último livro A Grande Mudança – Religando o Mundo de Edson a Google.
Carr continua a defender que a TI se tornará uma utility, assim como é a energia elétrica hoje. Só que agora ele reforça a sua teoria com a web 2.0 e a computação em nuvem. Para ele, a World Wide Web dará lugar a World Wide Computer. Não só a internet, mas o computador inteiro estará na rede. A polêmica criada por Carr não deve ser considerada uma sentença de fim de carreira para o CIO, é claro. Mas vale como um alerta a respeito do futuro da gestão da tecnologia dentro das empresas. “Hoje não há mais uma dúvida se a TI vai ou não virar um serviço, a questão é quando isso irá acontecer”, diz Cassio Dreyfuss, vicepresidente de pesquisa do Gartner. As mudanças visam principalmente transformar os custos fixos em variáveis. “O que é carregado como capex, se transformará em opex”, diz Francine Mazzafero Graci, diretora do segmento de TI e Telecom da Fesa, empresa de busca e seleção de executivos. Modelos de negócios que envolvem SaaS (Software como Serviço), computação em nuvem, terceirização de processos (BPO) e computação em grid deixam obrigatoriamente parte da TI nas mãos de fornecedores externos. Diante disso, estaria o cargo ou a importância do CIO ameaçados? “A resposta é não, muito pelo contrário”, diz Fernando Meirelles, diretor da Escola de Administração de Empresas da Fundação Getúlio Vargas, FGV-EAESP, e especialista em administração de recursos de informática e TI. “A inteligência da TI é interceirizável. Quanto mais na mão de terceiros está o serviço, mais importância tem a pessoa de TI”, afirma Meirelles.
Eliane Aere, ex-CIO da Ticket, não só concorda com o professor, mas também é prova de que mesmo terceirizando, o CIO pode ganhar visibilidade crescer profissionalmente. “Digo seguramente que o outsourcing não enfraquece a TI da empresa. Até porque o fato de terceirizar não significa que o CIO deixou de ser responsável pelo serviço”, diz. Quando comandava a TI da Ticket, a executiva passou para parceiros toda a infra-estrutura, o call center e parte do desenvolvimento de aplicativos. A aposta no outsourcing não eliminou as chances de promoção. Há dois anos ela passou a responder pelo RH da empresa. No novo cargo, continuou terceirizando. “Contratei serviços de folha de pagamento e de recrutamento e seleção”, diz. Um ano depois passou a acumular a diretoria geral da Ticket Seg e da Build Up, duas empresas que são braço de serviço da Accor Services.
Eliane Aere não está sozinha no time dos defensores da terceirização. Pelos números da IDC, o mercado brasileiro de serviços de TI movimentou 8,6 bilhões de dólares em 2007, o equivalente a 1,7% do mercado mundial. O valor é 11% maior que o registrado no ano anterior e coloca o Brasil em décimo lugar no ranking mundial, à frente dos outros países do Bric. Com esse aumento significativo das terceirizações é evidente que as atribuições do CIO se transformaram. O que vale, cada vez mais, é o mantra de que o profissionalde TI precisa ter cada vez mais uma visão geral do negócio. Ser detentor do conhecimento técnico não é mais um diferencial. “O CIO tem que falar de negócio. E enxergar para onde a empresa está indo”, afirma Karin Parodi, diretora da empresa de gestão de carreira Career Center. Essa visão geral de toda a empresa é fundamental ao homem de TI na hora de escolher uma solução tecnológica. “A TI não está mais numa caixinha. Não é só pegar a ferramenta na prateleira e instalar. É preciso olhar para o negócio e saber qual é a melhor solução para as necessidades dele”, afirma Edgard D’Andréa, consultor de TI da PricewaterhouseCoopers.
Escolhida a solução é hora de definir os fornecedores e gerenciar os contratos. Em geral, é a TI que acompanha e avalia os serviços de terceiros nas empresas. A tarefa não é simples. Quando se trata da prestação de serviços de tecnologia, as discussões de SLA são complicadas. “Não há uma métrica madura para avaliar a prestação de serviço. Por isso, monitorar a SLA em TI não é trivial como fazer a medição da construção de uma ponte”, diz Meirelles, da FGV-EAESP.
Apesar de ser capitaneado pelo CIO, esse acompanhamento dos contratos não pode ser feito somente por ele. Daí a necessidade de haver na empresa uma boa equipe de TI que, apesar de mais enxuta, reúne profissionais de perfil mais sênior para negociações. “Se o core business da
empresa demanda supply chain, o CIO tem que ter alguém para discutir de igual para igual com os fornecedores sobre esse assunto”, diz Ricardo Basaglia, consultor da área de TI da Michael Page, empresa de recrutamento de executivos. Essa capacidade de formar boas equipes, atrair e reter talentos, também está na lista de habilidades do CIO do futuro.
Eliane Aere, ex-CIO da Ticket, não só concorda com o professor, mas também é prova de que mesmo terceirizando, o CIO pode ganhar visibilidade crescer profissionalmente. “Digo seguramente que o outsourcing não enfraquece a TI da empresa. Até porque o fato de terceirizar não significa que o CIO deixou de ser responsável pelo serviço”, diz. Quando comandava a TI da Ticket, a executiva passou para parceiros toda a infra-estrutura, o call center e parte do desenvolvimento de aplicativos. A aposta no outsourcing não eliminou as chances de promoção. Há dois anos ela passou a responder pelo RH da empresa. No novo cargo, continuou terceirizando. “Contratei serviços de folha de pagamento e de recrutamento e seleção”, diz. Um ano depois passou a acumular a diretoria geral da Ticket Seg e da Build Up, duas empresas que são braço de serviço da Accor Services.
Eliane Aere não está sozinha no time dos defensores da terceirização. Pelos números da IDC, o mercado brasileiro de serviços de TI movimentou 8,6 bilhões de dólares em 2007, o equivalente a 1,7% do mercado mundial. O valor é 11% maior que o registrado no ano anterior e coloca o Brasil em décimo lugar no ranking mundial, à frente dos outros países do Bric. Com esse aumento significativo das terceirizações é evidente que as atribuições do CIO se transformaram. O que vale, cada vez mais, é o mantra de que o profissionalde TI precisa ter cada vez mais uma visão geral do negócio. Ser detentor do conhecimento técnico não é mais um diferencial. “O CIO tem que falar de negócio. E enxergar para onde a empresa está indo”, afirma Karin Parodi, diretora da empresa de gestão de carreira Career Center. Essa visão geral de toda a empresa é fundamental ao homem de TI na hora de escolher uma solução tecnológica. “A TI não está mais numa caixinha. Não é só pegar a ferramenta na prateleira e instalar. É preciso olhar para o negócio e saber qual é a melhor solução para as necessidades dele”, afirma Edgard D’Andréa, consultor de TI da PricewaterhouseCoopers.
Escolhida a solução é hora de definir os fornecedores e gerenciar os contratos. Em geral, é a TI que acompanha e avalia os serviços de terceiros nas empresas. A tarefa não é simples. Quando se trata da prestação de serviços de tecnologia, as discussões de SLA são complicadas. “Não há uma métrica madura para avaliar a prestação de serviço. Por isso, monitorar a SLA em TI não é trivial como fazer a medição da construção de uma ponte”, diz Meirelles, da FGV-EAESP.
Apesar de ser capitaneado pelo CIO, esse acompanhamento dos contratos não pode ser feito somente por ele. Daí a necessidade de haver na empresa uma boa equipe de TI que, apesar de mais enxuta, reúne profissionais de perfil mais sênior para negociações. “Se o core business da
empresa demanda supply chain, o CIO tem que ter alguém para discutir de igual para igual com os fornecedores sobre esse assunto”, diz Ricardo Basaglia, consultor da área de TI da Michael Page, empresa de recrutamento de executivos. Essa capacidade de formar boas equipes, atrair e reter talentos, também está na lista de habilidades do CIO do futuro.
Quem não se comunica…
Falar a mesma língua de todos os outros executivos da empresa é outra característica que pode aumentar a visibilidade do CIO. “Em vez de usar termos técnicos, o melhor a fazer é abrir a caixa preta da TI e apresentá-la como um suporte ao negócio”, diz Basaglia, da Michael Page. A troca de informações e o bom relacionamento com outras áreas são fundamentais para o CIO conhecer melhor a empresa e diferenciar as áreas de negócio. Mas não é apenas internamente que a troca de informações se tornou importante.
Também é preciso ter ligações com os clientes e com o mercado. “Acima de tudo está o relacionamento interpessoal. O CIO não pode ficar na sala com a porta fechada”, diz Fátima Zorzato, country manager no Brasil da Russell Reynolds Associates, empresa americana de recrutamento.
Segundo a headhunter, o relacionamento com outras pessoas aumenta as chances de o CIO ser chamado para reuniões, e isso é importante para o homem de TI conhecer melhor o negócio e identificar quais são as prioridades da empresa. Apesar de as características mais voltadas para o negócio estarem em alta, não significa que o conhecimento técnico perdeu a importância. “Há empresas que ainda buscam um perfil de profissional de TI mais voltado para a área técnica”, diz Ione de Almeida Coco, vice-presidente do programa executivo do Gartner para a América Latina. Pelos números da empresa de recrutamento Michael Page, 90% das companhias buscam um perfil de profissional mais voltado para o negócio, enquanto 10% pedem um perfil de CIO mais voltado para a solução de problemas técnicos.
Mesmo que ainda haja espaço para o CIO mais técnico, é certo que a TI está constantemente se reinventando. O departamento de tecnologia das empresas hoje é bem diferente do CPD de anos atrás. E essas transformações certamente continuarão. “No futuro poderemos ter área de Business Technology e não mais de Information Technology”, arrisca Cassio Dreyfuss, do Gartner. Será que Nicholas Carr concorda?
Autor – Silvia Balieiro ilustrações Japs, da Info CORPORATE
Referências: