O outsourcing nos negócios das empresas

27 01 2009

O crescimento econômico, verificado no País nos últimos anos, fez com que empresas de todos os setores buscassem novos procedimentos em seus negócios, para se tornarem mais competitivas e eficientes no mercado. Muitas delas procuraram as prestadoras de serviços de outsourcing para solucionar parte da questão. Estas firmas, pelo seu lado, trataram de incorporar os conceitos do cenário corporativo que se apresentava. Porém, esse alinhamento provocou algumas mudanças importantes no segmento de terceirização.

O fato é que as prestadoras de serviço de outsourcing, seja nas áreas administrativas, contábeis, fiscais ou financeiras, como de gestão de pessoas e processos, desenvolveram metodologias para que as transições dentro das organizações, fruto da necessidade delas conquistarem novos espaços no mercado, acontecessem de maneira eficaz, fazendo com que a empresa ganhasse produtividade de forma rápida e sem revés.

Em uma outra vertente, as iniciativas de outsourcing também conquistaram novos mercados antes nunca trabalhados em grande escala. Foi o caso do segmento de saúde, em que todos os processos de back office — incluindo as áreas financeira, fiscal e contábil — de consultórios, clínicas, laboratórios, hospitais, dentre outros, passaram a contar com os serviços de outsourcing, para que os players do sistema atendessem exclusivamente às necessidades de seus pacientes.

A área de saúde sempre encarou dificuldades no que tange às suas exigências de gestão, relacionamento com operadoras, sublocação de espaço, controle de custos, orçamento e impostos, folha de pagamento, questões societárias, dentre outros itens. O excessivo enfoque à sua atividade-fim de cuidar da saúde de pacientes – não há dúvidas que isso exige concentrado esforço e responsabilidade, já que está se lhe dando com a vida de seres humanos, principalmente num País com enorme déficit no sistema nacional de saúde –, por muitas vezes impediu esse progresso administrativo do setor.

Resta agora um amadurecimento das relações de empresas e prestadores de serviço de outsourcing para que o primeiro se beneficie ainda mais das vantagens de ter o segundo. Nesse ambiente, porém, faz-se fundamental que ambos compartilhem decisões favoráveis para os dois lados. Se um caminha na busca da competitividade, o outro também. Se um mudou a forma de atuação por conta das oportunidades crescentes, o outro também. No fundo, todos têm um único objetivo: serem imprescindíveis aos seus clientes.

Referência:
Geuma Campos Nascimento





Lucro certo com software

15 11 2008

O segmento de software detém os maiores rendimentos do mundo de TI, mas precisa preparar-se para o desafio das novas formas de comercialização

A lucratividade alta tem sido uma característica inerente ao mercado de software. Somente no Brasil, segundo o Gartner, esse setor movimenta 2,3 bilhões de dólares ao ano. Na previsão da IDC, o valor chega a 3,1 bilhões de dólares. Essa alta rentabilidade tem a ver com o modelo atual de comercialização de software. Mas as discussões e iniciativas de entrega de programas como serviço devem desafiar essas cifras. “Enquanto a venda de serviços tem custos fixos altos com salários e encargos, a comercialização de software oferece ganhos significativos, principalmente para os produtos já acabados”, diz Julio Pagani, analista de software para a América Latina da IDC.

Desde 2000, quando o SaaS (Software-As-A-Service) apareceu, fala-se da necessidade de rever a forma de cobrança de licença. Inúmeros fornecedores de software levantaram a bandeira de mudar a forma de entrega dos programas. Mas na prática muito pouco se vê de concreto. “Eles adiam o quanto podem essa decisão, pois sabem que não é possível manter as mesmas margens. Mas terão de fazer essa migração, já que o modelo de licença está se tornando inviável”, diz o professor Fernando S. Meirelles, diretor da escola de administração de empresas da Fundação Getúlio Vargas – FGV-EAESP, e especialista em administração de recursos de TI.

Grandes projetos de ERP e Business Intelligence encabeçam os rankings do setor de software do Gartner, que registrou crescimento de 11,5% de 2007 para 2008. Para a IDC, a situação é parecida. Os três sistemas mais comprados em 2008 foram ERP, CRM e Supply Chain. Para o Gartner, o mercado de software deve crescer 10,4% em 2009 e mais 10% em 2010. ERP, Business Intelligence, CRM e Supply Chain continuam em alta, movidos tanto por atualizações quanto por aumento da base. Uma tendência é a adoção de software de gerenciamento. “Em 2008, esse segmento saltou 25% e deve manter-se em alta em 2009”, afirma Mauro Peres, country manager da IDC Brasil.

Mesmo com esse crescimento, é consenso que a crise financeira americana vai impactar esse mercado, tanto para os fornecedores de fora quanto para os nacionais. “Teremos compradores mais cautelosos. O que se vendia em dois e três meses vai ser vendido em seis ou até dez meses”, diz Pagani, da IDC. Acredita-se que a crise deve atingir as economias maduras com mais força e os fornecedores colocarão suas fichas em mercados em crescimento, como o brasileiro.

“Mas isso não significa redução de preço. O que deve acontecer é que as empresas passarão a entregar mais pelo mesmo valor”, diz o analista de software da IDC. Já as empresas nacionais de software podem encarar a alta do dólar como uma oportunidade para aumentar suas vendas de ERP, Supply Chain e portais, áreas em que os produtos importados são fortes. Para Reinaldo Roveri, analista de mercado da IDC, a crise americana também pode impulsionar alguns segmentos. “À medida que cresce a necessidade de controle e monitoramento de custos, as empresas vêem-se obrigadas a investir em sistemas para alcançar essa eficiência”, diz ele.

Uma tendência apontada pelo Gartner é o crescimento do uso de código aberto nos programas corporativos. De acordo com a consultoria, em 2012, 80% de todos os programas comerciais vão incluir elementos de código aberto. Muitas dessas plataformas são maduras e estáveis e os fornecedores passam a encarar o padrão aberto como alternativa para baixarem seus custos e
aumentarem a possibilidade de entrega de retorno sobre o investimento.

Do ponto de vista de mercado, o movimento de fusões e aquisições entre empresas de software continua. A característica do setor no Brasil, de ser bastante pulverizado, estimula a onda de fusões. “Somente a Softex, uma das associações de empresas de software, concentra 8 mil companhias. É comum que elas se unam para ganhar mercado, aumentar o portfólio e tornar-se mais competitivas”, diz Ione de Almeida Coco, vice-presidente do programa executivo do Gartner para a América Latina.

O efeito colateral da onda de fusões é sentido no desempenho do pós-venda, o que tem levado muitos clientes de algumas grandes empresas de software a reavaliarem seus sistemas e, em alguns casos, optarem pela troca. “Percebemos que no movimento de fusão algumas companhias não souberam como informar e amparar o cliente, que se sentiu literalmente órfão quando precisou de assistência ou de negociar atualizações”, diz Ione.

Do lado do fornecedor, a executiva chama a atenção para a necessidade de fazer gestão de mudança no pós-venda de empresas recém-adquiridas com foco na percepção do cliente. E para o CIO uma alternativa é ser proativo e chamar a nova empresa para saber se ele pode continuar contando com o atendimento que vinha recebendo anteriormente. Essa atitude pode fazer com que a empresa passe a receber atenção especial, mesmo que o departamento de pós-venda do fornecedor ainda não esteja consolidado.

Dicas de Compra

  1. Não se restrinja ao nome do programa na hora de fechar o contrato. Detalhe quais funções o software deve cumprir. Assim, se ocorrer o desmembramento de aplicativos em novas versões e a mudança de nome de parte do produto – o que não é incomum —, o contrato evitará que se tenha de pagar duas vezes pelo mesmo aplicativo. Inclua uma cláusula que lhe permita desistir de licenças ociosas sem custo por isso.
  2. Muitos fornecedores cobram para desativar licenças, e as empresas só descobrem isso quando já é tarde.
  3. Pesquise a saúde financeira do fornecedor e verifique se há informações sobre possíveis fusões. No mercado de software, o movimento de aquisições é intenso. Se houver risco, coloque em contrato o compromisso de a companhia arcar com a manutenção dos sistemas, mesmo que mude de mãos e de CNPJ.

Referências:





SaaS: A nova onda de aquisições de softwares trás agilidade e simplicidade tecnológica para pequenas e médias empresas

17 10 2008

Apesar do aumento de demanda em todo mundo por soluções de tecnologia, as médias e principalmente pequenas empresas ainda vêem a área de TI como um sonho distante de ser alcançado ou, paradoxalmente como um dinheiro gasto com tecnologia inútel.

 

A tecnologia da informação, desde que necessária, pode se tornar grande aliada para empresas de médio e pequeno porte. Através dela, empresas focam mais tempo em estratégias que irão aperfeiçoar os negócios, evitam erros, diminuem custos, padronizão processos, compliam dados em uma única fonte, agilizam trocas de informação (disponibilizando as informações adequadas no momento certo para as pessoas que precisam dela), etc. Por outro lado, os custos de investimento em licenças para instalação e utilização de software até alguns anos atrás, era inviável para a maioria dessas empresas.

 

O responsável pelo drible no departamento tradicional de TI (tecnologia da informação), chama-se SaaS (software as a service ou, em português, software como serviço). Através desse novo conceito, as empresas não precisam mais pagar licença para usos do software.

 

Disponível em um website, o sistema trás agilidade e simplicidade da web além de redução de custos e flexibilidade. Todo o usuário de um software empresarial também navega na internet. Por que não ter a mesma comodidade e rapidez com os sitemas corporativos? Os serviços online têm muitas vantagens para clientes e usuários: Não há aquisição do software, o acesso é feito pela internet, de qualquer lugar, não há custos para manutenção e atualização no sistema, não é necessário apoio do departamento de tecnologia, a implementação é imediata, etc…

 

Nesse modelo, o único custo para empresa é o do usuário. Há uma taxa mensal cobrada pela fornecedora do sistema que varia conforme quantidade de usuários.

 

A empresa americana Salesforce foi a primeira a desenhar toda a sua estratégia na entrega de software pela web. Hoje, ela fornece soluções de CRM (costumer relationship management ou, em português gerenciamento do relacionamento com clientes) para aproximadamente 40 000 empresas.

 

No Brasil, algumas empresas também entraram na onda. Entre as mais recentes, encontra-se a wethink business solutions, formada por três empresários cuja missão é facilitar o acesso da tecnologia da informação para pequenas e médias empresas. Através do sistema oferecido via web, os clientes conseguem oferecer uma área restrita para realização de pedidos entre parceiros de negócios.

 

Tecnologia e inovação são fatores chave para o sucesso de organizações. As ferramentas existem não para substituir a capacidade intelectual do ser humano, mas sim para abraçar partes operacionais e fazer com que a organização foque no que realmente irá gerar receita para o seu negócio.

 

Uma pesquisa inédita do Sebrae em São Paulo apontou que entre as micro e pequenas empresas que passaram por processos de inovação em seus negócios, no último ano, 52% tiveram crescimento no volume de produção, 46% aumentaram o faturamento, 39% registraram maior produtividade da mão-de-obra e 24% ampliaram seus quadros de pessoal. Esse resultado representa o dobro do verificado nas empresas que não inovaram.

 

Simples, barato e flexível, não é atoa que o SaaS está virando a “menina dos olhos” de pequenas e médias empresas.

 

Autor: Camila Simielli

 

Referências:

 

 





SaaS é o futuro da TI

15 10 2008

O nome, de acordo com o CEO mundial da Microsoft, Steve Ballmer, não importa: software como serviço, computação em nuvem, computação sob demanda, grid computing ou, como a Microsoft prefere denominar, software mais serviço. Em seu discurso na abertura do Tech-Ed Brasil, evento voltado a desenvolvedores, Ballmer colocou este conceito como uma das mais importantes tendências para a área de tecnologia da informação. “Software mais serviço vai direcionar o futuro da TI.”

Somado a ela, o executivo também enumerou a virtualização, a interoperabilidade e a melhoria na experiência de usuário como pré-requisitos fundamentais para transformar o departamento de TI de centro de custo para estratégico – chegando ao que ele denominou uma TI dinâmica. “É preciso analisar a tecnologia pela percepção do negócio”, proferiu.

O conceito de serviço integra, na visão da corporação, servidores, dispositivos, internet e desktops por meio do software. “A questão principal é como agrupamos tudo em um novo modelo de computação distribuída, pois ele requer uma nova plataforma, com conceitos como Web 2.0, computação em nuvem, rica experiência para o usuário, facilidade na implementação e desenvolvimento e um modelo de negócio diferenciado”, salienta.

Gartner faz previsões de tendências em TI para empresas até 2012:

1. Mobilidade
Em 2012, 50% dos profissionais vão deixar seus notebooks em casa e vão carregar outros tipos de dispositivos, mais leves, menores e tão eficientes quanto os notebooks. Esses dispositivos compactos terão preços inferiores a 400 dólares e serão munidos de aplicações web.

2. Open Source
Em 2012, 80% de todos os softwares comerciais vão incluir elementos de software aberto. Muitas plataformas de software aberto são maduras e estáveis e são uma excelente oportunidade para fornecedores baixarem seus custos e aumentarem a possibilidade de obtenção de retorno sobre o investimento.

3. SaaS
Em 2012, pelo menos um terço das aplicações de negócios serão contratadas no modelo serviço, no lugar de licença de software. No modelo SaaS (software as a service), a companhia paga na proporção em que usa o programa. Essa é uma diferença fundamental em relação ao preço fixo de uma licença. Com o suporte de empresas como Oracle, SAP e Microsoft e de líderes da internet, como Google e Amazon, o modelo SaaS de desenvolvimento e distribuição vai crescer muito nos próximos cinco anos.

4. Hardware como serviço
Em 2011, os pioneiros em adoção de novas tecnologias vão deixar de gastar com equipamentos e, em vez disso, comprar 40% da sua infra-estrutura de TI como serviço. A banda larga de alta velocidade vai permitir colocar a infra-estrutura em outros sites, com a mesma rapidez de resposta. As empresas acreditam que quando a arquitetura
orientada a serviços se tornar comum, o cloud computing vai decolar, desvencilhando as aplicações de uma infra-estrutura específica. Essa tendência de aceitar a comoditização da infra-estrutura pode acabar com a tradicional dependência em relação a um fornecedor e baixar os custos da troca de fornecedores.

5. TI Verde I

Até 2009, dois dos seis pré-requisitos de compras em TI serão referentes a produtos e serviços que respeitem o meio ambiente, com menor consumo de energia. Isso será realidade para um terço das empresas de TI. A prioridade será economia de energia. Inicialmente, a motivação virá do desejo de conter gastos.

6. TI Verde II
Até 2010, 75% das empresas terão como pré-requisito de compra de hardware certificado de emissão de carbono e uso otimizado de energia. A maior parte dos fornecedores de tecnologia não tem conhecimento algum sobre os níveis de emissão de CO2 ou o consumo de energia na produção de seus equipamentos. Algumas empresas começaram a pedir esse tipo de informação de seus fornecedores em 2007. A maioria das empresas deve passar a usar essas informações como diferencial a partir de 2009.

Referências:

 





O Papel do SaaS na Modernização da TI

6 10 2008

Software como serviço (SaaS) é uma alternativa a ser levada em conta para sua estratégia de modernização da TI.

Software como serviço (SaaS) é uma alternativa a ser levada em conta para sua estratégia de modernização da TI. O SaaS pode exercer uma série de papéis que descreveremos nesta pesquisa.

Descobertas Chave

• A despeito das alegações de alguns revendedores que oferecem múltiplas opções de implementação, não há nenhuma maneira livre de problemas para migrar de um modelo de entrega para outro.

• Ao usar o SaaS como uma ponte temporária para uma aplicação de software nova e de implementação interna, lembre-se que os usuários poderão realmente gostar do SaaS e poderão não desejar passar para uma aplicação nova e de implementação interna, em cujo caso você será atormentado por questões relativas à gestão da mudança.

• Os processos corporativos com amplos requisitos funcionais e pontos de integração múltiplos e internos tendem a não serem bons candidatos para aplicações de terceirização permanente com o SaaS.

Recomendações

• Considere o SaaS como uma ponte quando o custo de atualização do sistema legado através da sua integração com outros esforços de modernização se tornar extremamente alto.

• Considere o SaaS como um substituto viável e permanente para uma aplicação interna quando a aplicação for por natureza voltada para um departamento.

Análise

A modernização da TI é uma evolução, e não um evento específico no tempo. Conforme as empresas enfrentem os assombrosos desafios da substituição de infra-estruturas centrais, ou da atualização de aplicações corporativas que foram construídas usando tecnologias ultrapassadas, tais como COBOL, o SaaS exercerá um papel chave. Porém, o papel específico que ele exercerá variará dependendo da estratégia particular de modernização da TI. Os dois principais papéis que o SaaS poderá exercer são:

• Servir como uma ponte para se migrar eventualmente para um ambiente novo e interno de aplicação corporativa

• Servir como um estímulo permanente para terceirizar a aplicação como um serviço

Em uma empresa, o SaaS poderá exercer diferentes papéis para diferentes aplicações. Por exemplo, uma empresa poderá decidir passar permanentemente para o SaaS ao modernizar suas aplicações de automação da força de vendas, e possivelmente usar o SaaS como uma ponte para implementações internas de outras aplicações, tais como e-commerce.

Papel No. 1: Usando o SaaS como uma Ponte para Infra-estrutura Nova e de Implementação Interna

As empresas que estão em meio a esforços de modernização costumam ter múltiplas aplicações corporativas para atualizar, variando de CRM a ERP. Na maioria desses casos, essas aplicações integram-se umas às outras. Um exemplo clássico é um sistema legado de gestão de pedidos com uma aplicação legada de centro de chamadas.

A primeira pergunta a ser feita é, “Qual aplicação você deve atualizar primeiro?” Muito freqüentemente, a resposta é a aplicação que for considerada mais crítica para a missão. Em nosso exemplo, vamos supor que seja o sistema de gestão de pedidos.

A próxima pergunta a ser feita é, “Você também atualizará a aplicação CRM legada para centro de chamadas ou construirá integrações personalizadas novas e temporárias a partir do novo sistema de gestão de pedidos para o sistema CRM legado?” A primeira opção é irrealista. Implementar simultaneamente aplicações corporativas múltiplas e internas é extremamente difícil em termos de recursos e de alto custo. A segunda opção é possível se a integração for simples; porém, em alguns ambientes legados, a integração poderá requerer personalização para a aplicação chave ou talvez algo pior, e tudo isso será um investimento jogado fora assim que você atualizar a aplicação CRM.

Há, porém, uma terceira alternativa: Passar da aplicação CRM para o SaaS. O SaaS permitirá que você migre rapidamente para uma nova aplicação com uma arquitetura mais moderna e então integre o sistema com a nova aplicação de gestão de pedidos. O SaaS lhe tomará dois a três anos, dependendo do seu compromisso contratual, para modernizar sua plataforma interna da aplicação CRM.

Porém, há uma importante armadilha a ser levada em conta quando você decidir passar para a plataforma de CRM modernizada e de implementação interna: Será uma nova implementação, e não uma migração. A despeito das alegações de alguns revendedores que oferecem múltiplas opções de implementação, não há nenhuma maneira livre de problemas para migrar de um modelo de entrega para outro. Você também deve se lembrar que os usuários poderão realmente gostar do SaaS e poderão não desejar passar para uma aplicação nova e de implementação interna, em cujo caso você será atormentado por questões relativas à gestão da mudança.

Quando Considerar o Papel No. 1: Se sua empresa tiver múltiplas aplicações de classe corporativa que requeiram modernização, e se o tempo de implementação for crítico, então o SaaS poderá servir como uma ponte para atualizar aplicações específicas e evitar a temida implementação “big bang” (isto é, tudo de uma vez só).

Papel No. 2: Usando o SaaS como uma Mudança Permanente para a Terceirização da Aplicação como um Serviço

O SaaS permite que as empresas implementem e rodem mais rapidamente uma nova aplicação do que nas abordagens tradicionais e de implementação interna. O motivo simples para isso é que um setor de TI não terá de instalar e administrar os componentes subjacentes da infra-estrutura, tais como a base de dados, o sistema operacional, o servidor da aplicação e coisas do tipo.

Assim, uma maneira de modernizar é terceirizar completamente a aplicação para eliminar o ônus de administrar e operar tecnicamente o ambiente da aplicação. Na superfície, isso parece ser uma alternativa atraente, mas como ocorre com o Papel No. 1 do SaaS, há armadilhas. O SaaS terá claramente um menor investimento inicial do que se você atualizasse sua aplicação legada com uma aplicação nova e de implementação interna. Não há nenhum custo de capital com o SaaS, apenas uma expansão do orçamento operacional no departamento que se pretende que a aplicação do SaaS apóie. Porém, diferentemente das aplicações de implementação interna, que são ativos depreciáveis ao longo do tempo, o aumento do orçamento operacional do SaaS nunca diminui.

Além disso, nos casos em que você tenha atualizado um sistema ERP (como em nosso exemplo acima) que faça parte de uma suíte que também tenha uma aplicação CRM, grande parte do trabalho que você talvez precise realizar no nível da infra-estrutura para modernizar a aplicação CRM já terá sido completado. Assim, acrescentar a aplicação CRM a esta infra-estrutura não será tão caro quanto teria sido se fosse implementada em uma plataforma separada. A compensação obtida será o tempo de implementação, e decidir se haverá uma necessidade real (do ponto de vista de um processo corporativo) de ser proprietário da aplicação. Os processos corporativos com requisitos amplos e funcionais e pontos de integração múltiplos e internos tendem a não ser bons candidatos para aplicações de terceirização permanente com o SaaS.

Quando Considerar o Papel No. 2: Se sua empresa tiver uma aplicação que seja compartimentada em um departamento em particular e para atender aos requisitos de implementação de colocação rápida em mercado, considere terceirizar permanentemente aquela aplicação para um modelo de implementação de SaaS.

Referências:





Comércio eletrônico é desafio para pequenas e médias empresas

1 10 2008

O comércio eletrônico no Brasil tem registrado uma taxa de crescimento que varia entre 40% e 45% ao ano.  Somente em  2007, o setor movimentou  algo em tono de  R$ 6,5 bilhões, excluindo-se as compras provocadas  pelos setores de turismo, de leilões e de automóveis, estimadas em R$ 100 bilhões no ano passado.

No entanto, na avaliação do consultor Edilson Flausino, da Câmara e-Net, ainda é considerada tímida a participação das micro e pequenas empresas, que representam 99% dos estabelecimentos formais do País. “É um mercado em potencial e as micro e pequenas empresas não podem perder  essa  oportunidade.”

Segundo Flausino, existem 15 mil lojas virtuais em funcionamento atualmente no Brasil. “Esse número precisa aumentar, para atender a demanda dos consumidores que estão confiando mais na internet. Por isso,  estamos promovendo em todo o Brasil Ciclos de Seminários como o de Curitiba.”

“O comércio pela internet é uma tendência irreversível. Nenhum empresário discute mais se deve ou não entrar, mas sim como deve entrar”, destaca Flausino. O consultor da Câmara e-Net informa que o hábito do consumidor brasileiro também está mudando. “A Classe C está mais participativa”, aponta.

Flausino diz ainda que CDs e DVDs são ainda os principais produtos adquiridos pelos brasileiros, porém a aquisição de livros, equipamentos de informativa e eletroeletrônicos apresenta uma curva de crescimento. “O volume médio de compras pelos brasileiros é estimado em R$ 320”, assinala.

Há muitas opções para aquisição de sistemas e-commerce. Para aqueles que possuem baixo capital de investimento, optar pelo software como serviço é uma ótima opção.

A utilização do SaaS (software as a service) vem crescendo bastante nos últimos tempos. Justamente por atender empresas que não querem gastar muito e/ou estarem insatisfeitas com soluções incompletas oferecidas por empresas de TI.

Referências:





A relação entre Computação em nuvem e SaaS

22 09 2008

Descobertas Chave

• As primeiras ofertas em SaaS foram lançadas no final dos anos 90.

• Ainda que essas ofertas não fossem consideradas computação em nuvem, fornecedores de SaaS têm alavancado a essência do que é hoje identificado como computação em nuvem em produtos por mais de oito anos.

• Visando elevar sua publicidade, fornecedores de SaaS estão se relançando como fornecedores de computação em nuvem.

Recomendações

• Não se perca nas nuvens — computação em nuvem é um termo amplo e abrangente que não deve ser confundido com aplicações específicas, tais como SaaS, que utiliza computação em nuvem em suas arquiteturas.

• Avalie os provedores de SaaS baseando-se no valor dos negócios que eles podem proporcionar à sua organização hoje e no futuro, e não em como eles usam bem o último termo em voga – neste caso, computação em nuvem.

O que você precisa saber

Computação em nuvem é um amplo conceito, do qual SaaS é apenas uma variação.Conceitos fundamentais de SaaS em torno da entrega, pagamento e arquitetura não mudaram desde a introdução do SaaS, oito anos atrás. De fato, a computação em nuvem alavancou muitos conceitos de arquitetura desenvolvidos primeiramente com SaaS em um contexto mais amplo.

 

Análise

ContextoCom o alvoroço causado pela computação em nuvem na indústria de TI, alguns fornecedores mudaram seu posicionamento de provedores de Saas para provedores de computação em nuvem sem mudar um elemento sequer de suas ofertas. Este Guia proporciona um claro contexto sobre como o SaaS se ajusta num conceito muito mais amplo de computação em nuvem.

 

Análise

O termo “SaaS” está dando lugar ao termo em voga no momento — computação em nuvem. Alguns usuários têm a falsa impressão de que a computação em nuvem irá substituir o SaaS. Tal impressão é alimentada por provedores de tecnologia visando fazer publicidade em torno deste último tópico ao relançar seus serviços como provedores de computação em nuvem. Estes provedores tentam se reposicionar ainda que não tenham escrito qualquer código novo, mudando seus contratos para acordos de serviço, ou mudando seus preços. É irônico que alguns provedores de SaaS têm alavancado a computação em nuvem, mas não se importaram anteriormente com os componentes essenciais de arquitetura. Hoje, com artigos aparecendo nas maiores publicações de negócios sobre a arquitetura em nuvem do Google, provedores de SaaS querem seguir a tendência.

Computação em nuvem não é apenas um termo em voga.

• A Gartner define computação em nuvem como um estilo de computação onde capacidades de TI altamente escaláveis são fornecidas como um serviço para consumidores externos usando tecnologias de internet. Uma função de TI pode ser uma aplicação de software. Se a aplicação de software é escrita de tal modo que seja “altamente escalável”, então SaaS é considerado uma forma de computação em nuvem (SaaS).

• A Gartner define SaaS como um software que é possuído, entregue e administrado remotamente por um ou mais provedores. O provedor fornece uma aplicação baseada em um grupo de definições de dados e códigos comuns, que são consumidos em um modelo um-para-muitos por todos os consumidores contratados a qualquer momento em uma base de pagamento por uso, ou como uma assinatura baseada na métrica de uso.

Ao se comparar as duas definições, torna-se claro que a computação em nuvem é um fundamento necessário para um provedor que visa fornecer uma oferta escalável em SaaS para o mercado. Entretanto, não se pode assumir que todas as ofertas de SaaS são altamente escaláveis. Apenas as ofertas de SaaS que alavanquem conceitos tais como uma arquitetura multitenance ou uma arquitetura com recursos compartilháveis para o processamento de aplicações ou armazenamento de dados encontram a definição de nuvem de serem altamente escaláveis. Mesmo uma arquitetura multitenance não significa que o SaaS será altamente escalável. Isso depende da definição de altamente escalável. Massivamente escalável é definido como as dezenas de milhões de transações do Google processadas em um determinado período, ou é definido como a habilidade do saleforce.com de crescer para mais de um milhão de assinantes em um período de cinco anos?

Esse é um grande tópico de debate, mas irrelevante na busca por um provedor de SaaS. A questão é se o provedor de SaaS pode fornecer o serviço de aplicação aos negócios que encontrem suas referências de desempenho. Isto significa que altamente escalável é o provedor que pode se ajustar para uma companhia com um número maior ou menor de usuários baseado na mesma arquitetura. Não deve haver diferenças baseadas no tamanho da companhia acessando o serviço. Haverá casos em que o provedor toma uma decisão para oferecer serviços especializados, como uma base de dados fisicamente separada no caso de uma aplicação de negócios de SaaS. O provedor faz isso não pelas limitações em sua arquitetura, mas principalmente para persuadir consumidores para o que ele acredita que aquele verá como um serviço adicional.

Arquiteturas multitenance proporcionam um compartilhamento de processamento de aplicações e recursos de armazenamento de dados em um ambiente um-para-muitos. Há muitas novas maneiras de realizar esse objetivo, tais como virtualização, computação em grade e métodos similares. Arquiteturas multitenance possibilitam aos fornecedores de software economia de escala ao administrar os custos de infra-estrutura para servir a muitos consumidores (veja em “Learn the Economic Advantages of a Pure SaaS Vendor”), grandes e pequenos. No final dos anos 90, quando o modelo tradicional de serviço de aplicação estava se esgotando para os fornecedores, o salesforce.com lançou um serviço de software de automação de vendas construído em uma plataforma multitenant, o que, naquele momento, era um avanço fundamental no fornecimento de serviços de software. Por isso, para as aplicações de SaaS, a arquitetura multitenant não é novidade. Uma aplicação não precisa ser um SaaS para ser considerada multitenant, mas esta é uma das mais eficientes opções para o fornecimento de SaaS (veja em “How to Evaluate SaaS Architecture Model Choices”). Por isso, nem todas as soluções de SaaS alavancam a computação baseada em nuvens.

Além da comparação de arquitetura, outro elemento que diferencia o SaaS num conceito mais geral de computação em nuvens é o modelo de negócios. Na definição de SaaS, o provedor dever oferecer um serviço, e em retorno o consumidor paga uma taxa de assinatura em uma base de pagamento por uso ou de métrica de uso. Um provedor pode decidir oferecer o serviço de software gratuitamente visando persuadir a um serviço mais caro, ou por outros objetivos de marketing, tal como participação em market share. Resumindo, existe algum comprometimento contratual de ambas as partes.

Finalizando, computação em nuvens pode ser o termo em voga para o ano de 2008. Em 2009, a indústria pode avançar para os limites externos e chamá-lo de “computação galáctica”. Uma coisa, contudo, é certa: o SaaS não desaparecerá em breve, e a adoção ao SaaS deve ser acelerada (veja em “SaaS Delivery Challenges On-Premise Software”) e este será um modelo de alternativa de fornecimento viável nos próximos anos, se não por mais tempo. Se sua empresa está avaliando uma aplicação de SaaS, não se foque em qual fornecedor conta uma melhor história sobre “nuvens”. Mantenha-se focado no valor do negócio que o provedor de serviços pode oferecer à sua organização agora e no futuro.

Fatores chave

• Ofertas em SaaS não são novidade; elas são lançadas desde o final dos anos 90.

• Ainda que não estivessem chamando-a de computação em nuvens, fornecedores de SaaS tem alavancado a arquitetura e infra-estrutura da computação em nuvens por mais de oito anos.

• Visando elevar sua publicidade, fornecedores de SaaS estão se relançando como fornecedores de computação em nuvens.

Autor – Robert P. Desisto, Daryl C. Plummer, David Mitchell Smith, do Gartner

Referências:





Você é o CIO do futuro?

22 09 2008

Computação em nuvem, SaaS e o outsourcing são alguns dos conceitos que estão transformando o papel da TI nas empresas. Veja o que isso muda na sua carreira.

No longo prazo, é improvável que o departamento de TI continue existindo, pelo menos da maneira como é hoje. Haverá muito pouco a fazer, uma vez que o grosso do processamento dos negócios sairá dos data centers privados e irá para dentro da nuvem. Unidades de negócio e até os próprios funcionários serão capazes de controlar o processamento das informações, sem precisar de uma legião de técnicos especialistas.” Essa previsão apocalíptica para a área de TI foi dada por Nicholas Carr, editor da Harvard Business Review, em seu último livro A Grande Mudança – Religando o Mundo de Edson a Google.
Carr continua a defender que a TI se tornará uma utility, assim como é a energia elétrica hoje. Só que agora ele reforça a sua teoria com a web 2.0 e a computação em nuvem. Para ele, a World Wide Web dará lugar a World Wide Computer. Não só a internet, mas o computador inteiro estará na rede. A polêmica criada por Carr não deve ser considerada uma sentença de fim de carreira para o CIO, é claro. Mas vale como um alerta a respeito do futuro da gestão da tecnologia dentro das empresas. “Hoje não há mais uma dúvida se a TI vai ou não virar um serviço, a questão é quando isso irá acontecer”, diz Cassio Dreyfuss, vicepresidente de pesquisa do Gartner. As mudanças visam principalmente transformar os custos fixos em variáveis. “O que é carregado como capex, se transformará em opex”, diz Francine Mazzafero Graci, diretora do segmento de TI e Telecom da Fesa, empresa de busca e seleção de executivos. Modelos de negócios que envolvem SaaS (Software como Serviço), computação em nuvem, terceirização de processos (BPO) e computação em grid deixam obrigatoriamente parte da TI nas mãos de fornecedores externos. Diante disso, estaria o cargo ou a importância do CIO ameaçados? “A resposta é não, muito pelo contrário”, diz Fernando Meirelles, diretor da Escola de Administração de Empresas da Fundação Getúlio Vargas, FGV-EAESP, e especialista em administração de recursos de informática e TI. “A inteligência da TI é interceirizável. Quanto mais na mão de terceiros está o serviço, mais importância tem a pessoa de TI”, afirma Meirelles.

Eliane Aere, ex-CIO da Ticket, não só concorda com o professor, mas também é prova de que mesmo terceirizando, o CIO pode ganhar visibilidade crescer profissionalmente. “Digo seguramente que o outsourcing não enfraquece a TI da empresa. Até porque o fato de terceirizar não significa que o CIO deixou de ser responsável pelo serviço”, diz. Quando comandava a TI da Ticket, a executiva passou para parceiros toda a infra-estrutura, o call center e parte do desenvolvimento de aplicativos. A aposta no outsourcing não eliminou as chances de promoção. Há dois anos ela passou a responder pelo RH da empresa. No novo cargo, continuou terceirizando. “Contratei serviços de folha de pagamento e de recrutamento e seleção”, diz. Um ano depois passou a acumular a diretoria geral da Ticket Seg e da Build Up, duas empresas que são braço de serviço da Accor Services.
Eliane Aere não está sozinha no time dos defensores da terceirização. Pelos números da IDC, o mercado brasileiro de serviços de TI movimentou 8,6 bilhões de dólares em 2007, o equivalente a 1,7% do mercado mundial. O valor é 11% maior que o registrado no ano anterior e coloca o Brasil em décimo lugar no ranking mundial, à frente dos outros países do Bric. Com esse aumento significativo das terceirizações é evidente que as atribuições do CIO se transformaram. O que vale, cada vez mais, é o mantra de que o profissionalde TI precisa ter cada vez mais uma visão geral do negócio. Ser detentor do conhecimento técnico não é mais um diferencial. “O CIO tem que falar de negócio. E enxergar para onde a empresa está indo”, afirma Karin Parodi, diretora da empresa de gestão de carreira Career Center. Essa visão geral de toda a empresa é fundamental ao homem de TI na hora de escolher uma solução tecnológica. “A TI não está mais numa caixinha. Não é só pegar a ferramenta na prateleira e instalar. É preciso olhar para o negócio e saber qual é a melhor solução para as necessidades dele”, afirma Edgard D’Andréa, consultor de TI da PricewaterhouseCoopers.

Escolhida a solução é hora de definir os fornecedores e gerenciar os contratos. Em geral, é a TI que acompanha e avalia os serviços de terceiros nas empresas. A tarefa não é simples. Quando se trata da prestação de serviços de tecnologia, as discussões de SLA são complicadas. “Não há uma métrica madura para avaliar a prestação de serviço. Por isso, monitorar a SLA em TI não é trivial como fazer a medição da construção de uma ponte”, diz Meirelles, da FGV-EAESP.
Apesar de ser capitaneado pelo CIO, esse acompanhamento dos contratos não pode ser feito somente por ele. Daí a necessidade de haver na empresa uma boa equipe de TI que, apesar de mais enxuta, reúne profissionais de perfil mais sênior para negociações. “Se o core business da
empresa demanda supply chain, o CIO tem que ter alguém para discutir de igual para igual com os fornecedores sobre esse assunto”, diz Ricardo Basaglia, consultor da área de TI da Michael Page, empresa de recrutamento de executivos. Essa capacidade de formar boas equipes, atrair e reter talentos, também está na lista de habilidades do CIO do futuro.

Eliane Aere, ex-CIO da Ticket, não só concorda com o professor, mas também é prova de que mesmo terceirizando, o CIO pode ganhar visibilidade crescer profissionalmente. “Digo seguramente que o outsourcing não enfraquece a TI da empresa. Até porque o fato de terceirizar não significa que o CIO deixou de ser responsável pelo serviço”, diz. Quando comandava a TI da Ticket, a executiva passou para parceiros toda a infra-estrutura, o call center e parte do desenvolvimento de aplicativos. A aposta no outsourcing não eliminou as chances de promoção. Há dois anos ela passou a responder pelo RH da empresa. No novo cargo, continuou terceirizando. “Contratei serviços de folha de pagamento e de recrutamento e seleção”, diz. Um ano depois passou a acumular a diretoria geral da Ticket Seg e da Build Up, duas empresas que são braço de serviço da Accor Services.
Eliane Aere não está sozinha no time dos defensores da terceirização. Pelos números da IDC, o mercado brasileiro de serviços de TI movimentou 8,6 bilhões de dólares em 2007, o equivalente a 1,7% do mercado mundial. O valor é 11% maior que o registrado no ano anterior e coloca o Brasil em décimo lugar no ranking mundial, à frente dos outros países do Bric. Com esse aumento significativo das terceirizações é evidente que as atribuições do CIO se transformaram. O que vale, cada vez mais, é o mantra de que o profissionalde TI precisa ter cada vez mais uma visão geral do negócio. Ser detentor do conhecimento técnico não é mais um diferencial. “O CIO tem que falar de negócio. E enxergar para onde a empresa está indo”, afirma Karin Parodi, diretora da empresa de gestão de carreira Career Center. Essa visão geral de toda a empresa é fundamental ao homem de TI na hora de escolher uma solução tecnológica. “A TI não está mais numa caixinha. Não é só pegar a ferramenta na prateleira e instalar. É preciso olhar para o negócio e saber qual é a melhor solução para as necessidades dele”, afirma Edgard D’Andréa, consultor de TI da PricewaterhouseCoopers.

Escolhida a solução é hora de definir os fornecedores e gerenciar os contratos. Em geral, é a TI que acompanha e avalia os serviços de terceiros nas empresas. A tarefa não é simples. Quando se trata da prestação de serviços de tecnologia, as discussões de SLA são complicadas. “Não há uma métrica madura para avaliar a prestação de serviço. Por isso, monitorar a SLA em TI não é trivial como fazer a medição da construção de uma ponte”, diz Meirelles, da FGV-EAESP.
Apesar de ser capitaneado pelo CIO, esse acompanhamento dos contratos não pode ser feito somente por ele. Daí a necessidade de haver na empresa uma boa equipe de TI que, apesar de mais enxuta, reúne profissionais de perfil mais sênior para negociações. “Se o core business da
empresa demanda supply chain, o CIO tem que ter alguém para discutir de igual para igual com os fornecedores sobre esse assunto”, diz Ricardo Basaglia, consultor da área de TI da Michael Page, empresa de recrutamento de executivos. Essa capacidade de formar boas equipes, atrair e reter talentos, também está na lista de habilidades do CIO do futuro.

Quem não se comunica…
Falar a mesma língua de todos os outros executivos da empresa é outra característica que pode aumentar a visibilidade do CIO. “Em vez de usar termos técnicos, o melhor a fazer é abrir a caixa preta da TI e apresentá-la como um suporte ao negócio”, diz Basaglia, da Michael Page. A troca de informações e o bom relacionamento com outras áreas são fundamentais para o CIO conhecer melhor a empresa e diferenciar as áreas de negócio. Mas não é apenas internamente que a troca de informações se tornou importante.

Também é preciso ter ligações com os clientes e com o mercado. “Acima de tudo está o relacionamento interpessoal. O CIO não pode ficar na sala com a porta fechada”, diz Fátima Zorzato, country manager no Brasil da Russell Reynolds Associates, empresa americana de recrutamento.

Segundo a headhunter, o relacionamento com outras pessoas aumenta as chances de o CIO ser chamado para reuniões, e isso é importante para o homem de TI conhecer melhor o negócio e identificar quais são as prioridades da empresa. Apesar de as características mais voltadas para o negócio estarem em alta, não significa que o conhecimento técnico perdeu a importância. “Há empresas que ainda buscam um perfil de profissional de TI mais voltado para a área técnica”, diz Ione de Almeida Coco, vice-presidente do programa executivo do Gartner para a América Latina. Pelos números da empresa de recrutamento Michael Page, 90% das companhias buscam um perfil de profissional mais voltado para o negócio, enquanto 10% pedem um perfil de CIO mais voltado para a solução de problemas técnicos.

Mesmo que ainda haja espaço para o CIO mais técnico, é certo que a TI está constantemente se reinventando. O departamento de tecnologia das empresas hoje é bem diferente do CPD de anos atrás. E essas transformações certamente continuarão. “No futuro poderemos ter área de Business Technology e não mais de Information Technology”, arrisca Cassio Dreyfuss, do Gartner. Será que Nicholas Carr concorda?

Autor – Silvia Balieiro ilustrações Japs, da Info CORPORATE

Referências:





Muito além da licença

22 09 2008

A TI não precisa mais ter a posse do software. Novas modalidades de cobrança permitem ao CIO mais flexibilidade e menos custos. A hora é de negociar. Aproveite!

A necessidade de reduzir os custos operacionais e buscar cada vez mais eficiência para a área de ti chegou aos contratos de software. Essa constatação tem dois significados importantes. O primeiro diz respeito à negociação entre CIOs e fornecedores, que caminha para se tornar muito mais dura. O segundo mostra uma realidade improvável até pouco tempo atrás: o questionamento do modelo de licenças. Hoje o CIO procura modelos flexíveis de compra de software, que se ajustem às suas necessidades atuais e futuras.

A boa notícia é que os fornecedores estão cientes de que mudança é uma constante na vida de seus clientes e já começam a oferecer contratos alternativos. Até a forma tradicional, de receber por licença de uso, está mudando. Hoje ela está atrelada não apenas à CPU, mas também ao número de usuários,ao núcleo do processador, ao faturamento da empresa e até a métricas setoriais, como o número de leitos de um hospital. O CIO pode optar pelo software sem ter a posse da licença, pagando uma taxa mensal pelo uso em máquinas dentro ou fora de casa. Já é possível também contratar software de terceiros como serviço.

“Os modelos de cobrança ainda não estão totalmente consolidados pela indústria do software, por isso nos próximos 18 meses os CIOs têm grandes chances de conseguir os melhores acordos”, diz Julie Giera, vice-presidente do instituto Forrester Research. Segundo Julie, as software houses estão desesperadas para manter seus clientes e começam a criar atrativos que as diferencie. “Os fornecedores sabem que terão de passar da venda de licenças para a de serviços, baseada em uso, o que fatalmente afetará sua lucratividade. Quem está com a vantagem nas mãos agora é o CIO”, afirma Julie.

Mauro Negrete, diretor de tecnologia da empresa de comércio exterior Cotia Trading, concorda que a tendência é pagar conforme o uso. “Do ponto de vista do negócio, o melhor é transformar o custo fixo do software em variável”, diz Negrete. Mas, segundo ele, o desafio é negociar certo na primeira vez. “Depois que a gente vira cliente, que os nossos processos passam a depender do parceiro, aí o poder de barganha cai”, afirma Negrete, que estabelece contratos de software com prazo máximo de dois anos. Os que estão para vencer serão renegociados de olho nos indicadores de negócio. “O ideal seria atrelar a remuneração do software à contribuição do parceiro para o resultado”, diz Negrete. Mas quando encomenda às fábricas de software aplicativos que sejam customizados para seu negócio, Negrete não quer apenas ter nas mãos a licença do software, mas também seu código fonte. “É preciso pensar bem antes de colocar o que é estratégico na mão de terceiros”, afirma.

Os fornecedores passaram a oferecer um leque extenso de opções. Alguns gerenciam seus próprios pacotes quando o cliente não tem a infra-estrutura necessária ou não pode desembolsar grandes somas no início da operação. A Oracle, por exemplo, oferece três modalidades de cobrança, sendo duas com licença – a tradicional e a on demand – e uma de software como serviço. Quando o cliente tem posse da licença e usa a infra-estrutura da Oracle para rodar o software, trata-se da opção on demand. Se não quiser pagar pela licença, o CIO pode optar pela operação completa do serviço, com mensalidade referente ao uso, processamento e suporte do sistema. “No futuro, software será claramente um serviço, pela redução da complexidade e do custo total de propriedade do ambiente de TI”, afirma Silvio Genesini, presidente da Oracle do Brasil.

A Microsoft também se mexe. “Estamos testando todos os modelos possíveis, desde software como serviço até hosting, assinatura e o pré-pago”, afirmou Emílio Umeoka, presidente da Microsoft Brasil a cerca de 100 CIOs reunidos em maio num evento do Geti (Grupo de Executivos de TI) para discutir o futuro dos pacotes de ERP. Na forma de cartão pré-pago, a Microsoft testa a venda dos aplicativos do pacote Office ao consumidor final. Seus dois modelos ainda mais usados são a licença perpétua de uso, mantida por anuidade, e cuja atualização requer um pagamento adicional; e a assinatura, com renovação anual e direito a todas as atualizações.

De acordo com Fabio Costa, presidente da consultoria IDC Brasil, o back office adapta-se mais facilmente à cobrança por uso, bem como os serviços funcionais, como finanças e RH. “Nos aplicativos de negócios, que exigem maior esforço de customização, não há grandes ganhos financeiros na migração para o aluguel”, afirma Costa.

Software como serviço vai pegar?

Das diversas modalidades de compra de software, a nova onda é o software-as-a-service (Saas). De acordo com o Gartner, trata-se do software mantido, entregue e gerenciado remotamente por um provedor, e pago por uso pelo cliente. Os analistas do instituto afirmam que esse modelo tem limitações. Funciona bem para ferramentas de uso final, como e-mail, e-learning, teleconferência, mensagens instantâneas e ferramentas de busca, mas tem pouco impacto nos aplicativos de negócio. A idéia do Saas não é nova, já foi praticada sob a denominação ASP (Application Service Provider). “No modelo ASP, os maiores interessados eram os integradores de serviço, que tinham a infra-estrutura para vender e precisavam de conteúdo para elevar o tíquete de host. Agora, os fabricantes de software é que estão de olho no software como serviço”, diz Fabio Costa, presidente da consultoria IDC.

A Oracle prepara-se para oferecer em breve um modelo de serviço totalmente online para a linha Siebel. “Será parecido com o que faz a SalesForce.com”, afirma o presidente da empresa, Silvio Genesini, referindo-se ao fornecedor de CRM virtual por assinatura online que é referência mundial em Saas.

Já a SAP tem uma postura bem mais conservadora. Embora lá fora ofereça o aplicativo de CRM sob demanda, pago por assinatura e com opção de serviço operado pela IBM, parceira nesse projeto, no Brasil o foco é a tradicional licença por usuário. “Não vejo demanda forte por parte dos clientes”, diz José Ruy Antunes, presidente da SAP. Segundo Antunes, o único cliente brasileiro que adota um contrato alternativo é a construtora Camargo Corrêa, que adotou o módulo de RH do mySAP em parceria com a Accenture. “Se o cliente pedir, atenderemos, mas não acredito que pagamento por uso seja uma tendência de mercado”, afirma Antunes.

Autor – Luana Pavani, da Info CORPORATE

Referências:

 





Como usar bem o SaaS

22 09 2008

Simples, barato e flexível, o software como serviço – ou SaaS, do inglês software-as-a-service – já virou realidade dentro das empresas. Em três anos, uma em cada quatro aplicações será negociada nesse modelo.

A idéia básica prevê o fim das licenças e o pagamento de uma taxa que varia com o uso. De quebra, a TI ganha agilidade na atualização tecnológica. Mas o SaaS tem limites também. O principal é a dificuldade para customizar, o que torna o modelo pouco adequado para sistemas críticos. Está na hora de encarar o SaaS? Conheça a opinião de CIOs e especialistas sobre esse conceito.

A presença do modelo SaaS no mercado mundial de software vem se ampliando. Segundo o Gartner, o consumo de aplicações corporativas como serviço deverá aumentar 22,1% até 2011. A previsão é que, até lá, o SaaS venha a representar 25% do mercado de software utilizado nas empresas. A receita global gerada pelo SaaS, ainda de acordo com o Gartner, deverá atingir 11,5 bilhões de dólares em 2011 – mais que o dobro do obtido no ano passado, quando a receita foi de 5,1 bilhões de dólares.

Na Companhia Vale do Rio Doce, por exemplo, o conceito de software como serviço vem sendo usado há alguns anos. É o caso do sistema de coleta de informações financeiras (cotações de ações, aquisições de empresas etc.) sobre a Vale e outras companhias do setor de mineração e siderurgia. Outra aplicação utilizada no modelo SaaS, segundo Adriana Peixoto Ferreira, diretora de TI da Vale, é o acompanhamento da posição de navios em todo o mundo. Esse tipo de serviço é fornecido pelas agências marítimas com as quais a Vale tem contrato – e a aplicação costuma ser entregue como serviço.

As aplicações desenvolvidas como SaaS rodam em plataformas que podem ser acessadas – e compartilhadas – por milhares de usuários, o que dilui os custos do serviço em relação aos antigos modelos baseados em arquitetura cliente-servidor. “Essa é a grande vantagem do software como serviço”, diz Gustavo Mazzariol, gerente de TI do Metrô de São Paulo, que aderiu ao SaaS já há três anos. É o que ocorre, por exemplo, com a salesforce.com, mais conhecida fornecedora de CRM como serviço. Pelos três data centers da empresa nos Estados Unidos passam 130 milhões de transações por dia, realizadas em todo o mundo por mais de 38 mil clientes e um milhão de usuários. A salesforce.com tem na carteira grandes clientes, como a Merryll Lynch, com 30 mil usuários no mundo todo. No modelo da empresa, o cliente paga uma assinatura mensal pelo número de usuários do serviço – no caso do CRM completo, a partir de 65 dólares por usuário. “A redução de custo é um grande apelo para as empresas”, afirma Sanjay Agarwal, presidente da ValueNET, parceira da salesforce.com e responsável pela implantação do serviço em mais de 100 empresas no Brasil.

A facilidade para diminuir despesas foi o principal motivo da mudança de postura de muitos CIOs que, até quatro anos atrás, tinham receio em transferir os dados da empresa para os servidores da salesforce. com. A possibilidade de experimentar o serviço também tem atraído as empresas para o modelo on demand.“O cliente pode começar com poucos usuários, ver se gosta e depois aumentar o número de assinaturas”, afirma Agarwal.

A entrega de aplicações online, na forma de serviços, é uma tendência irreversível que vem ganhando impulso com tecnologias como a web 2.0 e com o próprio sucesso dos fornecedores que já aderiram ao modelo – forçando fornecedores de software que ainda trabalham com a venda de licenças a adotar posturas mais flexíveis. Um estudo recente da IDC indica que o modelo SaaS deverá revolucionar o cenário das parcerias entre provedores de aplicações, especialmente os que fazem parte do mesmo ecossistema de negócios. Com base na pesquisa, a IDC prevê que grandes fornecedores de software e seus parceiros começarão a investir nesse modelo em 2008 – o que ampliará a oferta de soluções para os usuários. A Oracle, uma das primeiras a apostar nesse conceito, hoje oferece todos os seus aplicativos (ERP, CRM, business intelligence, entre outros) na forma de serviço. “O SaaS é um conceito que vai além da comercialização”, diz Jack Sterenberg, diretor de serviços avançados de suporte da Oracle do Brasil. “Ele traz um ganho importante para os processos, uma vez que é instalado, administrado e atualizado por quem tem as melhores práticas em relação ao software, que é o seu fabricante.”

  Tradicional Intermediário SaaS
Pagamento Licença Assinatura com uma taxa fixa Taxa varia de acordo com o uso
Acesso à aplicação Pelo data center da empresa Servidor terceirizado Pela internet
Gestão TI da empresa ASP  SLA

Autor – Rosa Sposito, da Info CORPORATE

Referências: