Paralelamente às discussões sobre o combate à crise financeira global, outro tema que deverá ganhar mais força este ano será o debate por uma negociação mundial para a ampliação de políticas em favor do meio ambiente, diante do aquecimento do planeta.
Recente pesquisa realizada pelo Havas Digital, intitulada “Climate change” (mudança climática), mostrou que 90% dos consumidores estão mais seletivos na hora de adquirir produtos e serviços que não estejam publicamente engajados com a chamada responsabilidade ambiental. O estudo foi feito em nove países (Estados Unidos, Inglaterra, Espanha, China, Brasil, França, Índia, Alemanha e México). A amostra quantitativa envolveu 11 mil entrevistas online sobre 200 marcas notórias nos mercados selecionados.
Já o relatório de 2008 do Instituto Ethos de Responsabilidade Social e do Akatu – especialista em consumo consciente –, cujo objetivo foi avaliar como o consumidor percebe as práticas de responsabilidade social das empresas, apontou que dois em cada três consumidores brasileiros têm uma avaliação positiva sobre a contribuição das grandes empresas para o desenvolvimento da sociedade.
Independentemente das ações, o alerta vai para empresas que acabam investindo mais em comunicação do que propriamente em projetos sustentáveis. “Há uma distorção quando se investe mais em comunicação do que em ação de fato. Mas há um controle grande por meio dos órgãos fiscalizadores”, comenta Frederico Lúcio.
Ações coerentes
O consumidor valoriza e tem consciência crítica para saber discernir a teoria da prática”, diz Lisa Gunn, coordenadora executiva do Idec (Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor).
Segundo a especialista, há relatos no Idec de empresas que foram denunciadas por consumidores que observaram a falta de coerência entre o discurso e as ações sustentáveis. “Uma vez, um consumidor que era biólogo denunciou uma empresa de atum que usava em sua embalagem o selo ‘amigo do golfinho’, mas no Brasil não há golfinhos como no Oceano Pacífico onde eles se alimentam de atum”, comenta.
Outro caso foi o uso do certificado ISO 14001, referente ao sistema de gestão ambiental, que a empresa utilizava de maneira incorreta. “Ter este selo não quer dizer que o desempenho seja menos poluente e também não pode ser atribuído a produtos e sim, à gestão”, explica Lisa.
A especialista observa que o que o consumidor mais sente falta são de ações sustentáveis para pós-consumo, como no caso de aparelhos celulares. “A expectativa dos consumidores é de que a empresa se responsabilize pelos aparelhos e resíduos”, diz.
Economia
Pequenas ações no dia-a-dia das empresas também significam uma economia considerável nos gastos empresariais. De acordo com pesquisa realizada pela Gartner, uma empresa que tem seu ambiente de trabalho bem administrado com relação ao uso de energia pode economizar US$ 43,3 mil por ano. Desligar os aparelhos após seu uso – como os monitores, por exemplo – implica numa economia de US$ 6,5 mil ao ano. Já os computadores quando usados apenas para fins do trabalho podem gerar uma economia anual de US$ 27,5 mil.
Indústria
Uma pesquisa feita pelo Instituto de Marketing Industrial com executivos de 45 empresas de 25 setores mostrou que 50% das empresas são sensíveis ao tema sustentabilidade, mas apenas 20% têm ações significativas nessa área. “Muitas falam sobre o tema, mas não têm consistência, não é um trabalho sistêmico da organização. A questão está sendo colocada de fora para dentro. Muitas empresas não têm o DNA de sustentabilidade”, fala Paulo Salomão, professor da Escola de Marketing Industrial. “Por enquanto, ainda há uma lacuna entre a ideia e a implementação efetiva das ações de sustentabilidade. É uma preocupação recente ainda nas empresas. Esse conceito começou a ser praticado de três ou quatro anos para cá. É um processo em desenvolvimento”, completa.
Atualmente não há como as empresas ignorarem a preocupação com o tripé da sustentabilidade – economia viável, social justo e responsabilidade ambiental. “Com as provas concretas de que as ações estão sendo realizadas, a empresa melhora a imagem”, completa o professor.
Por enquanto, a preocupação das empresas com sustentabilidade ainda é um diferencial. “Pós-Al Gore, as empresas passaram a investir mais em sustentabilidade. Em um futuro próximo, isso tende a ser o básico”, contou. Wal lembra que as crianças de hoje já começam a aprender a ter essas preocupações com a sustentabilidade nas escolas. “Nossos filhos vão procurar marcas com essas preocupações”, diz ela.
Fonte: PropMark