Nove bilhões de pessoas irão viver neste planeta ainda neste século e a produção mundial irá quadruplicar. Muito está se falando das mudanças nas condições climáticas em todo o mundo e da possível escassez de recursos hídricos, animais e minerais para o final do século. Assim, cada vez mais, fazem-se necessárias políticas nacionais e internacionais de produção e consumo sustentável.
O Brasil ainda tem muito a fazer nesta questão de consumo e produção sustentáveis. Para o gerente da Unidade de Acesso à Inovação e Tecnologia do Sebrae Nacional, Paulo Alvim, que participou na quinta-feira (19) da mesa redonda ‘Processos Produtivos e Desenvolvimento Sustentável’, se estamos pensando em qualidade de vida e desenvolvimento sustentável e queremos fazer um esforço de inserção competitiva no parque produtivo brasileiro, nós temos que trabalhar com as questões referentes ao universo das micro e pequenas empresas, a maioria dos negócios no País.
O Ministério do Meio Ambiente juntamente com o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma) promoveram nesta quinta e sexta-feira (19 e 20 de abril), em São Paulo, a ‘Mesa Redonda Nacional sobre Consumo e Produção Sustentáveis (CPS)’, onde foram discutidas questões envolvendo o cenário nacional e internacional.
Alvim participou da mesa redonda juntamente com representantes dos ministérios da Ciência e Tecnologia, Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior e do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). Em sua palestra, o gerente mostrou como o Sebrae vem trabalhando há algum tempo essas questões com o segmento das micro e pequenas empresas.
Segundo ele, entre as carências do setor produtivo de pequeno porte está o baixo uso de boas práticas, seja de fabricação, seja de gestão, e a dificuldade de acesso à informação, ao conhecimento, à tecnologia. “Apenas estes dois aspectos já nos demonstram o desafio que é trabalhar a questão da produção sustentável dos pequenos negócios. Se nós queremos trabalhar competitividade, sustentabilidade, que é a missão institucional do Sebrae, eu tenho que inserir a organização nesta pauta”, disse.
Ele afirma também que atualmente o País está mais preocupado com a produção sustentável do que o consumo. “Não dá para olhar apenas o lócus da oferta, que é o lócus da produção, porque não existe sustentabilidade de negócios se eu não tiver o olhar de mercado. Torna-se estratégico para a sustentabilidade de negócios o olhar do consumo sustentável como uma estratégia de sustentabilidade nesses processos”.
De acordo com Alvim, é fundamental que cada vez mais se trabalhe com um olhar de mercado, como indutor de todo o processo, não só na área de produção sustentável, mas em qualquer ramo de atividade de porte empresarial. “Todo o modelo de trabalho do Sistema Sebrae, o que chamamos de ambiente favorável para empreender negócios de sucesso, passa por estratégias, como trabalhar marcos legais, o ambiente político, a questão sócio-cultural e soluções técnicas. Já temos um conjunto de ferramentas e o grande trabalho é adequar e disponibilizar, garantindo que as empresas e os empreendedores acessem esse ferramental”, disse.
Alvim enumerou as principais atividades da instituição na questão do CPS. “Estamos trabalhando há algum tempo com a redução de desperdício no setor produtivo, principalmente na área de eficiência energética. A partir desta estratégica da redução de desperdício, cada vez mais utilizamos a lógica do reuso e reciclagem como oportunidade de negócios”.
Segundo ele, muitas vezes o capital de giro está próximo ou pode se transformar em um negócio para terceiros, como o trabalho na organização de catadores, cooperativas de reciclagem industrial. A produção mais limpa é outro foco do Sebrae. “Estamos centrando o trabalho na capacitação e implantação em micro e pequenas empresas. Temos mais de 100 casos de micro e pequenas empresas que implantaram a produção mais limpa”.
O Sebrae também desenvolveu toda uma metodologia de implantação ambiental na micro e pequenas empresas. Há instrumentos de capacitação e consultoria para implantação de ISO 14.000 em micro e pequenas empresas; a questão do ecodesign e comércio justo. “E temos trabalhado internamente essa visão integrada que algumas entidades já exigem da agregação de sistemas de gestão, onde eu integro qualidade, meio ambiente, saúde e segurança do trabalho, inovação e a questão mais ampla que é responsabilidade social”.
Referência:
Autor – Beth Matias – Agência Sebrae de Notícias
Parabéns pelo blog, super interessante…. várias informações que para mim são super úteis.
Abs,
Fernanda